Reportagem para o TVCom Tudo +: A pequena Islândia!

Quem não conseguiu assistir ao programa TVCom Tudo + , segue aqui a reportagem que fiz sobre aquela minha viagem tudo de bom para a Islândia! Tá aí uma boa oportunidade de vocês verem as experiências que contei aqui no blog, mas de outro ponto de vista!

 

Ficou curioso? Então saiba mais sobre esse pecorrucho e curioso país aqui.

As mamães do meu coração

Com a minha fofinha!

Este blog já falou tantas vezes do amor que sinto pela minha mãe, que em pleno Dia das Mães, resolvi que não vou ficar me repetindo.

Minha vó querida!


PORÉM
, impossível não dizer que hoje tudo o que eu mais queria era estar na casa da minha vó, almoçando com a minha família. Pô, Dia das Mães é Dia das Mães e a gente tem que passar com a mami da gente. Mas eu não posso… nem eu, nem o Nando. Então almoçamos só nós dois, um franguinho assado com arroz, sweet corn e saladinha. De sobremesa, sorvete de chocolate com cerejas. Melhor que isso, só se a dona Fumiko e a dona Mirna estivessem aqui pra gente poder abraçar.

Espero que elas, a minha avó, minhas tias, primas, minhas amigas que também são mães tenham um dia especial. Tô longe, mas o meu coração continua o mesmo: amando vocês!

Minhas tias e minha mãe. Todas mamis, inclusive de mim!

Aline e Júlia, minhas primas fofas!

Cássia, Diogo e a minha amada Isabela!

Mami Didi, com Lu e Miguel! Meus gatinhos!

Karen e Gui, gatão!

Episódio 1 chegando ao fim

Na última quarta-feira minha chegada em Glasgow completou 5 meses. Feliz aniversário pra mim! Quando olho pra trás mal consigo acreditar que cheguei até aqui, mesmo que ainda haja tanto chão pela frente. Mas pra mim, que nunca fiquei mais do que um mês fora de casa, 5 meses é O desafio.

E no dia do meu aniversário de vivência fora do ninho, o Nando fez a última prova do semestre. Isso não significa apenas que ele vai ter mais tempo pra vida e vai poder faxinar mais a casa enquanto eu estiver trabalhando (sim, porque eu sou o homem desta família!): chegou a hora de mais uma grande mudança.

O terceiro e quarto semestres do mestrado do Nando serão realizados em outros três países: Dinamarca, Alemanha e Austrália. Toda a turma que conhecemos até agora, com quem dividimos essa maluca vida escocesa, vai se separar em três grupos a partir dos próximos dias.

Um dos tantos encontros que me fizeram sentir acolhida e feliz!

Alguns já deixaram Glasgow, outros farão isso na próxima semana, no final do mês, em junho ou em julho, como eu e o Nando. Aos poucos, o círculo vai murchar e cada vez menos vou encontrar esse pessoal pela rua nas minhas voltas do trabalho ou indo às compras no Aldi – nosso supermercado favorito, que inclusive merece um post mais além.

No encontro de despedida, a mensagem: somos uma rede, e não podemos deixar que ela se arrebente!

Kurnia Sofia, da Indonésia!

Nesses últimos meses fomos mais uma comunidade de estrangeiros, entre tantas, na cidade de Glasgow. E comunidade tem muito mais em comum do que uma barreira geográfica possa determinar. Quase 20 nacionalidades entraram em acordo para apoiar uma a outra num território estranho. Entre diferenças culturais, de religião, de raças, de conhecimentos, o grupo se uniu em prol da amizade, da troca de experiências, da curiosidade, que é bem mais interessante do que o preconceito.

Claro, nem tudo são flores. Volta e meia rola aquela vontade de esgoelar, de chamar de louco, mandar à merda. Nada anormal para qualquer relação humana. O que realmente levo dessa experiência tão cosmopolita, é o que listo logo a seguir:

 

#1: Me arrependo amargamente de ter dito por aí que em tal país ou outro as pessoas são frias. Não. Elas podem manifestar o afeto de forma diferente, mais comedida com alguns, mais intimista com outros. Mas independentemente da nação, todos são capazes de amar sem fronteiras;

#2: Hoje posso dizer que sei um pouquinho sobre cerca de 20 países diferentes, não porque li em livros, pesquisei na Wikipedia, mas porque eu conversei e convivi com os representantes. Por exemplo: o galo não cacareja da mesma forma no mundo inteiro. Pode ser cocoricó, mas pode ser também quiquiriqui, cucurucu e por aí vai! #ficaadica

#3: Amizades de verdade são difíceis, principalmente quando já somos adultos. Mas sinto sinceramente que uma amizade de verdade está nascendo entre eu e algumas pessoas que conheci aqui. Embora eu sinta saudades constantes dos meus amigos no Brasil, penso como é maluco e possível eu criar laços de fato com pessoas tão diferentes de mim. Um amigo não tem cara nem hora pra aparecer;

#4: Assim que souber o mínimo sobre a cultura de alguém, faça o máximo para respeitá-la. Não interessa de onde a gente veio, o que é normalíssimo pra você pode ser uma ofensa interplanetária para o outro e não tem coisa mais feia do que colocar alguém nesse tipo de situação;

#5: Opened mind! Abra a sua cabeça para o mundo. De nada vai adiantar o contato com pessoas de outras nacionalidades se você não se deixar contagiar.

#6: Os brasileiros ainda são muito provincianos. Dão valor absurdo a classe social, roupas, dinheiro, aparência. Se você se enfiar com essa mentalidade – que eu mesma tive por muito tempo – no meio de outras culturas, prepare-se para se chocar. Ninguém vai te dar bola.

#7: E por último, caso tenha a oportunidade: saia da caixinha e vá conhecer o mundo! Ou ao menos não perca a oportunidade de trocar um bom papo com alguém de fora. Não importa se você e o gringo vão se dar bem, se você criará uma nova amizade. O que vale mesmo é aprender e evoluir, sempre!

Brincadeira para dar a oportunidade de todos dizerem "Thank you" pela oportunidade!

 

Thank you, Ana Maria Burca!

 

Camilo, nosso querido colombiano com carinho de choro!

Saudade do cão

A pior parte de se estar longe da nossa terra é a saudade.

Claro, hoje a saudade que sinto não é a mesma de quase 5 meses atrás. É mais mansa, sutil e uma vez que outra me faz perder a linha. Tipo, como hoje.

E hoje foi um daqueles dias. Sabe, AQUELES. Quando a saudade vem com tudo, dorme contigo, acorda contigo e não te larga o dia todo. Ontem à noite não conseguia dormir, pensando na vida. Ou melhor, nas vidas: naquela que deixei pra trás e nesta que tenho agora.

Quando acordei de manhã, a cabeça continuava trabalhando freneticamente, e nessas horas a gente nem sabe explicar o que realmente está sentindo. Aí o Nando me perguntava:

- O que é que tu tem?

- Nada. (ou será que tudo?)

Porque não é bem tristeza, afinal me sinto feliz aqui. Me sinto realizada e nada arrependida pela escolha de ter vindo. É só saudade.

Então fomos ver um filme. Red Dog. Um filme australiano sobre um cachorro que muda a vida de uma pequena comunidade. Sabe aqueles filmes baseados em fatos reais, com um cachorro lindo e ótimo ator que jamais deve ser assistido por pessoas taradas por animais – em especial, cachorros –  e que choram vendo até comercial de desodorante? Pois esse foi o filme que eu assisti num DAQUELES dias.

Família!

Quando eu sinto saudades de casa, não é só na minha mãe e no meu pai que eu penso. Quando bate o banzo, meu coração se aperta por um quatro patas fedorento que é tão parte da minha vida como qualquer outra pessoa que eu ame: o meu amigo Bento.

Snif, o primeiro cão da minha vida!

Não sei da onde eu saí tão apaixonada por cachorros. Meu primeiro cachorro na vida foi o Snif. Ganhei ele assim que nasci, ficava comigo no berço, aquele boneco marrom orelhudo que era moda nos anos 80. E 28 anos depois, o Snif veio para a Europa comigo, dentro de uma fronha de travesseiro e hoje disputa seu espaço na cama com o Nando. Sob terríveis ameaças.

Acho que de tanto olhar pro focinho do Snif ainda bebê é que eu me tornei uma amante dos cachorros. Na verdade, sou amante dos animais, mas os cachorros… Sim, eles fedem, fazem cocô e xixi por aí, lambem o pinto e depois te lambem, querem comer a tua comida a qualquer custo e ainda te levam à falência com vacinas, banhos e ração. Viva o amor incondicional!

Hoje lembrei da vez em que o Bento acordou no meio da madrugada, todo pecorrucho, choramingando, provavelmente com saudades da mãe. Eu já não sabia mais o que fazer pra acalmar o cusco, então deitei no sofá da sala e coloquei ele bem em cima da minha barriga e tapei com o edredon. Ele ficou quentinho e dormiu. Terminei a noite com dor nas costas porque não queria me mexer pra não acordar o filhote. O meu Bento…

Não vou desfiar aqui um rosário falando do amor que pode existir entre homens e animais e blábláblá. Mas hoje a minha saudade apertou pelo Bento. Por todas as vezes em que abri a porta de casa e vi ele me receber; pelas vezes em que ele me viu chorando e simplesmente sentou do meu lado no meio da madrugada porque sabia que eu precisava; pelas noites frias em que a gente ficava bem agarradinho pra se esquentar; pelas colheradas de sorvete que eu largava no prato dele pra deixar ele feliz; pelo olhar dele pra mim, que me fazia sentir tão amada e tão responsável por aquele ser pequeno e tão indefeso.

Na distância é que a gente percebe como a vida é feita de coisas pequenas, simples. E é dessas coisas que eu mais sinto saudade. Hoje eu daria tudo pra ter o Bento aqui do meu lado, como sempre foi.

Depois que assisti Red Dog, me perguntei: será que o Bento ficou me procurando pela casa depois que eu fui embora, se perguntando onde está a Terena? Bom, se eu bem conheço ele, certamente ele me procurou. Me esperou voltar, como sempre fez e como sempre faz toda vez que o meu pai sai. Menos mal que é ele o real dono do coração do Bento, o meu pai. Ele é o grande guardião do meu cachorro e vice-versa. Porque quando a gente sente saudade, logo pensa: será que estão sofrendo?

Espero que o Bento não sinta que foi deixado pra trás. Quando penso no meu retorno ao Brasil, penso no nosso reencontro também e rezo pela memória canina do Bento.

Não me esquece, meu amigo! Esteja eu onde estiver, não esqueço de ti jamais.

BBC Scotland: porque miséria ninguém atura

BBC Scotland

Final de semana passado tive a oportunidade de conhecer o prédio da BBC Scotland, aqui em Glasgow. A construção é super bacana, fica às margens do Rio Clyde e o que vi por lá me fez pensar: algumas empresas brasileiras de comunicação ainda têm muito chão pela frente.

Todo sábado a BBC organiza tours para visitantes. É de graça, basta se inscrever. Fui com o Nando e mais alguns amigos. Eu era a única jornalista da rodada, mas assim como eu todos ficaram encantados com a infraestrutura do prédio: tudo novinho, planejado, confortável. Neste quesito, qualidade e funcionários em primeiro lugar!

Os visitantes!

Os guias, o Collin e a Charlenne, eram jornalistas de lá. Acredito que todo sábado funcionários são escolhidos para levar visitantes para o tour. Uma maneira bacana de fazer com que o pessoal que trabalha lá conheça bem a empresa e entre em contato com os espectadores.

O tour foi rápido, pouco mais de uma hora. Mas nos deu a oportunidade de ver a 34º Street, uma estrutura que fica bem no meio do prédio da BBC, com vários andares abertos e tudo feito de tijolos, como se fosse uma rua de verdade! Em cada andar, mesas e cadeiras à disposição pra reuniões de trabalho. Lindo! Segundo os guias, a acústica da 34º Street permite que todo mundo converse abertamente por lá sem ser ouvido ou atrapalhar as salas que ficam ao redor.

A 34º Street, onde acontecem as reuniões de pautas, entre outras

Os andares ficam em torno da 34º Street, com sacadas abertas repletas de salas, estúdios, redações. A redação de News, claro, é a maior. Maravilhosa, com computadores perfeitos, cadeiras hergométricas de última geração, microfones acoplados nos monitores para que os jornalistas da redação se comuniquem com quem está na rua a qualquer momento e da maneira mais rápida e fácil. Coisa de louco! Na redação fica também uma mini bancada para a transmissão de telejornais e para casos de entradas de última hora. O controle do TP fica no chão, como um pedal, e o âncora passa tudo na tela com o próprio pé! Em casos de um vivo urgente, o apresentador pode preparar a sua entrada completamente sozinho, acionando câmera, TP, tapadeira do estúdio,
tudo por conta própria.

Os estúdios não deixam por menos. Todos extremamente novos, com equipamentos estalando. O estúdio de programas principal é gigantesco, com cadeiras de auditório que podem ser disponibilizadas e escondidas a qualquer hora; marcadores pelo chão para ajudar o trabalho de continuistas na gravação de séries; toneladas e mais toneladas de refletores.

Há vários camarins para receber convidados individualmente, e uma sala maior e toda bacana se o assunto for Celebrities!

No último andar tem o restaurante. Sim, O Restaurante. Lindo, com mesas e cadeiras confortáveis, novinhas. Aí depois de lanchar, o pessoal pode ficar na área ao lado, coberta, cheia de banquinhos para relaxar e apreciar a vista da cidade de Glasgow.

Lancheria e restaurante. Super charmoso!

Espaço para esfriar a cabeça e apreciar a vista de Glasgow

A BBC tem escritórios por todo o Reino Unido. Antes, o maior era o de Londres, mas por questões de facilidade geográfica, a sede principal agora mudou para Manchester. Fiquei pensando: se o office de Glasgow é assim, imagina como não é esse novo…

Não faço ideia de como é o clima de trabalho na BBC. Sabe como é, jornalista é bicho triste, tem como principal característica a insatisfação constante. Pra tudo! Mas mesmo um chefe asqueroso, uma pauta ordinária, uma escala canina e um salário de fome, nada como sofrer em grande estilo.

 

*Adoraria mostrar mais fotos, mas por política de segurança da BBC não é permitido fotografar boa parte do prédio.

 

 

Melancolia novelística

Par romântico de Aquele Beijo

Fiquei deprimida com o final de Aquele Beijo, a última novela das 7h. Eu era super fã! Eu e o Nando, na verdade, mas não deixem ele saber que eu contei!

A Cláudia era minha ídola!

Virei fã da Cláudia!

E agora? O que será de mim sem meu tradicional programa diário? Todo santo dia rolava aqui em casa o momento “Carregar a novela”. Sim, pra quem mora no Exterior, a saída é a internet: a nossa programação aqui é totalmente móvel, passa só no notebook.

Diariamente a gente carregava Aquele Beijo. Os dias eram de festa quando o 3G estava rápido. E de indignação quando estava lento, o que geralmente acontecia nos capítulos mais mirabolantes. Mas o vício era tão grande que ao passar dos meses desenvolvemos técnicas para acelelar o processo. O Nando, então… virou o mestre do carregamento de novelas! O que não faz um coração noveleiro…

Eu comecei a assistir Aquele Beijo antes de sair do Brasil. Um belo dia resolvi dar uma olhada e me viciei! Bom, confesso que para eu me viciar numa novela não custa muito. Sou noveleira assumida. Adoro assistir a histórias malucas e me deixar envolver até o último fiapo de cabelo. Acha brega? Pouco culto ou mesmo cool? Azar o teu! Não sabe o que está perdendo…

Na TV, no cinema, na literatura, eu sempre preferi as estórias em vez das histórias. Nada contra! Existem histórias belíssimas, dignas de serem contadas para todo mundo saber. Inclusive eu não as evito. Mas é a fantasia que me comove.

Eu detestava ver novela com a minha mãe. Lá pelas tantas ela soltava: “ahhh, bem capaz que isso aconteceria de verdade”. Mas e daí? Isso é uma novela! De realidade já basta a que eu vivo diariamente, eu quero é sonhar! Embora quem me conheça saiba que a minha vida parece uma novela. Já me aconteceu cada coisa que eu garanto: Manoel Carlos aplaudiria de pé!

Mas a verdade é que Aquele Beijo tem um valor maior do que uma simples novela que me divertia. Quando cheguei em Glasgow, eu sofri. Sofri de saudades do Brasil, da minha família, amigos, da minha vida. O Reino Unido é tão diferente que nos primeiros tempos eu me sentia vivendo em outro planeta.

Antes de chegar eu andava assistindo duas novelas diferentes: A Vida da Gente e Aquele Beijo. Aí descobri nelas uma maneira efetiva de diminuir as saudades de casa. Ora, para uma brasileira noveleira de plantão, nada mais confortante do que assistir a uma boa novela. Toda vez que eu dava o play, me sentia um pouquinho no Brasil, de volta à minha rotina. Durante quase uma hora, eu estava novamente em casa.

Exagero? Julgue como quiser. Mas era exatamente isso o que eu sentia. Lembro que no primeiro mês aqui em Glasgow eu pensava: o que vou fazer quando essas novelas terminarem? Elas eram o meu alento! O Nando passava horas fora de casa estudando, o clima estava horrível, a maior parte do tempo escuro, chovendo e frio. Me agarrei na Manuela e na Cláudia pra não enlouquecer!

E não enlouqueci. O tempo passou e de repente me peguei passando dias sem assistir a um capítulo sequer, envolvida com as novidades que a nova vida me trouxe. Aí era até mais divertido, o Nando e eu tirávamos dias pra recuperar os últimos acontecimentos, entusiasmados na frente do notebook, almoçando, jantando, ou sentados no sofá com os pés pra cima.

Até que chegou o último capítulo de A Vida da Gente. Mas ainda me restava Aquele Beijo! Ahhh, como eu adorava ver as cenas românticas entre a Cláudia e o Vicente, rir e me indignar com a Maruschka, viajar completamente na estória maluca criada pelo Miguel Falabella. E aí Aquele Beijo acabou também.

Maruschka, a vilã cômica

Nessa última semana trabalhei feito louca. Saía do Boteco e vinha pra casa pensando: hummm, tô doida pra ver a novela! Os últimos capítulos sempre são imperdíveis! E eu não perdi nenhum. Vi todos, com meus olhos grandes vidrados, o coração aos pulos a cada desfecho. Chorei feito uma maluuuuucaaaaa vendo a Belezinha e a Íntima fazerem as pazes. Adorei ver a Cláudia finalmente ter o casamento dos sonhos com o Vicente, e a Maruschka  andar pelo Covio do Bagre de braços dados com a Ana Girafa.

Ai, como eu adoro ser brega!

Talvez eu deveria dedicar mais tempo a leituras que colaborassem para o meu intelecto. Assistir a mais filmes cult, entrar em debates sobre política. Mas sabe o que é? É que eu morro por uma novela!

Agora estou aqui, órfã de um bom enredo dramatúrgico, apostando todas as minhas fichas no que vem pela frente. Começamos a assistir Amor Eterno Amor, e parece boa. Amanhã tem início Cheias de Charme. Acabaram-se as discussões na cozinha sobre as maldades da Maruschka e as loucuras por amor da Cláudia.

Novelas têm sim o seu quê de realidade. Elas terminam, os personagens se vão e tudo dá espaço a novas estórias. E aí a gente se apega de novo e quando percebe, já esqueceu do que passou. Acho que estou vivendo a nova novela da minha vida, escrita por Terena Miller, com direção de núcleo de Luis Fernando Mizutani. Uma novela feita a duas mãos, cheia de aventuras, desafios, comédia e muita emoção! Até pensei em um nome: O Grande Desafio.

Hã, o que acham? Aguardem cenas do próximo capítulo!

 

Fantastic Iceland

Acabo de chegar de uma viagem fantástica. Nos últimos cinco dias eu vi chover, fazer sol, vi montanhas, lagos, cachoeiras, vi tudo branco, marrom, cinza, azul. Eu ouvi uma língua indecifrável, andei em alto mar, comi peixes deliciosos, fiquei só de biquini aos 5 graus de temperatura. Eu estava na Islândia.

Reykjavik: seja bem-vindo!

Há uns seis meses atrás, o Nando me ligou e disse: comprei passagens pra irmos pra Iceland ver a Aurora Boreal! Nem acreditei. Até então, pra mim a Aurora Boreal era só possível de se ver no Fanstástico. De lá pra cá, essa tornou-se a viagem mais esperada por nós e pelo grupo de amigos que temos aqui em Glasgow. The Craziest Trip Ever, foi o nome que demos. E de fato, ela foi.

Ver a Aurora Boreal pelo menos uma vez na vida é um privilégio para poucos. Um fenômeno da natureza visível em poucas regiões do mundo de repente me convidou para contemplá-lo. Além de comprar as passagens para Reykjavik, o Nando pagou também um tour ao norte da Islândia para vermos a Aurora Boreal, ou as Northern Lights. Só que não vimos.

SIM!

Fomos até a Islândia para ver a Aurora Boreal e não vimos. Nem sequer uma nesga de luz verde, roxa ou de qualquer outra cor. Quase todas as noites foram nubladas, cinzas e fechadas. Egoístas ao último! Eu disse quase.

Advanced Gramado!

Foi a primeira vez que conheci um país escandinavo. Pude ter uma provinha do que será minha vida na Dianamarca a partir de setembro, e confesso que gostei. Embora as pessoas sejam fechadas feito uma rocha, a população é extremamente civilizada, as cidades são limpas, seguras, tranquilas. E o país é capaz de revelar o que ninguém imagina.

A Islândia é um país turístico. Reykjavik é uma cidade relativamente famosa, mas o fato de existir o guichê de apenas 1 companhia aérea no aeroporto internacional – a Icelandair – mostra que a rota ainda é pouco explorada. Eu mesma nunca imaginei ir parar por lá. Fui a convite do Nando, que foi ao convite do Stevo, um colega de mestrado, que tirou a ideia não sei da onde. Grande Stevo!

Preparados para uma grande viagem!

A caminho de Iceland!

Saímos de Glasgow na terça-feira de tarde, num grupo de 15 pessoas. O vôo até Reykjavik é curto. Em menos de duas horas chegamos na capital islandesa, quase à míngua porque a Icelandair cobra até os fones de ouvido. E no caso de mochileiros, economizar é preciso. Nos hospedamos no Hotel Cabin, há uns 15 minutos a pé do centro de Reykjavik. Assim que abrimos a porta do quarto entendemos o nome do hotel. Uma barraca poderia ser maior. Mas ok, o chuveiro tipo cachoeira de metal fazia o resto valer a pena. O café da manhã era bem gostoso, embora uma das funcionárias fosse a grosseria em pessoa. Num dos dias veio até a nossa mesa com um cartaz em punho e berrando pra quem quisesse ouvir que era proibido levar comida do café da manhã como lanche. A nossa amiga indonesiana, que neste momento enrolava um pãozinho de sanduíche no guardanapo quase mudou de cor de vergonha. “Mais grossa do que dedo destroncado”, como diria a minha mãe. Depois de fazer a cena, a mulher virou as costas e deu o último aviso:

- Isso aí vai custar 3 pounds!

Creeedo…

Nos dois primeiros dias passeamos pela cidade. Muito bonitinha! Pequena, com casas coloridas e uma costa incrível com montanhas cobertas por neve ao fundo. A ruas estreitas, a sequência de lojinhas, bistrôs e luzes me fez lembrar Gramado. Eu acho Gramado um porre! Mas Reykjavik é uma Gramado mais interessante, mais viva. Fomos ao Museu Nacional e subimos até o topo da Igreja central. De lá, vimos toda a cidade, que de tão pecorrucha, cabia onde a nossa vista cobria.

Vista do alto da igreja!

Eu estava com o Nando, o que significa: experimentar comidas! Em uma das noites jantamos num restaurantezinho super fofo da Laugavengur. Aquela coisa meia luz, poucas mesas. Eu comi um bagel com salmão defumado e salada. O Nando se lambuzou com um hambúrguer de pão preto e molho de cogumelos. Ai que delíciaaaaaaaaaaaa! Para completar, cerveja islandesa: Viking! Brindamos aos ancestrais daquela terra tão curiosa.

Chuva e nuvens. Tour para a Aurora Boreal cancelado pela primeira vez.

Um wale watching só de golfinhos... Olha que fofo!

Na quinta-feira acordamos bem cedinho. Destino: Wale Watching! Um passeio de barco em alto mar para ver as baleias. Chovia e ventava. Já subi no barco lembrando da vez que peguei o ferry de Montevideo a Buenos Aires e tive que segurar meu estômago por mais de uma hora. Desta vez, sentei lá fora, aspirando o ar gelado, tomando chuva e vendo aquele horizonte sem fim. Quando o primeiro golfinho saltou bem do lado do barco, quase chorei. Ele era enorme, com manchas brancas. Me vi navegando no meio do Oceano Pacífico, sem qualquer ponto de referência à volta, vendo a natureza agir independente. Ficamos três horas em alto mar, com um guia falando no microfone, fazendo a gente imaginar que o barco era um relógio: Now, 12 o’clock. Now, 9h o’clock. E assim, todo mundo ia se remexendo de um lado para o outro do barco, câmeras enlouquecidas em mãos, registrando cada pulo, cada nadadeira. Numa dessas, eu estava voltando das 15 o´clock para às 21 o´clock e me deparo com os meus óculos caídos na beira do barco, quase a ponto de cambalhotar junto aos golfinhos. Ê, Terena… E nada das baleias.

Frio, chuva, mas ainda assim.. maravilhoso!

Quando voltamos para o porto, alguns verdes de tanto enjoar, o Nando desabafou:

- Agora só falta a Blue Lagoon não ser azul.

Eu não me importei de não ver as baleias. Apesar do frio, da chuva, das ondas ameaçadoras de estômago e do descaso das anfitriãs a nossa visita, o passeio foi especial. Estar em alto mar e em outro mar que não o nosso é uma experiência forte, quase budista!

Então, fomos direto para a Blue Lagoon. A lagoa mais azul que já vi na vida. Fiquei de biquini sob 5 graus de temperatura e caí na água! Ok, não sou tão free style. A água é quente, a ponto de liberar vapor o tempo todo. O solo é de sal e o calor vem da terra. Mergulhei num ponto de águas geotermais, com uma vista tão impressionante, que parecia irreal.

Esta foto é da entrada do spa. Aguardem fotos que tiramos com a câmera à prova d´água!

Em torno da Blue Lagoon foi criado um spa de primeira linha, com serviços como massagens, terapias, sauna, tratamentos de beleza, bar, restaurante e, claro, a Blue Lagoon. O dono deve ser milionário e a experiência vale cada centavo de Krone islandês. Viramos uvas-passas lá dentro, boiando naquela água e enchendo a cara do creme feito com sílica que eles oferecem pra você tratar a pele enquanto se delicia na lagoa. Voltei pra casa com o cabelo seco feito uma palha, mas com a pele igual a bumbum de neném.

Chuva e nuvens. Aurora Boreal cancelada pela segunda vez.

Na sexta-feira descemos para o Sul erodamos nada mais, nada menos do que

Pé na estrada!

800 quilômetros em bate-e-volta. Saímos com o objetivo de ver umas cachoeiras, umas casas Vikings, uma geleira e voltar a tempo de tentar ver a Aurora Boreal. “Quem acredita, sempre alcança”.

O dia estava perfeitamente ensolarado e as paisagens que passaram pela nossa frente eu vou guardar pra sempre na memória. Alugamos três carros e saímos às 8h da manhã rumo às rodovidas de Iceland. Nós, um GPS e alguns mapas. Telmo, o guardião do GPS tinha mais sorte que juízo. Na primeira tentativa de chegar numa cachoeira, pegamos a estrada errada e chegamos numa montanha. Descemos do carro e subimos até o topo. Não tenho ideia de quantos metros.. talvez 100? Mais que 100? O Stevo olhou pra cima e desistiu da empreitada. A Linda, uma taiwanesa, parou no meio da trilha e olhava pra todos os lados com uma cara de terror e pânico. Não sabia se subia, se descia e lá pelas tantas se decidiu pela segunda opção. Mas quem subiu, não se arrependeu.

Descemos a montanha, pegamos o carro e finalmente encontramos a cachoeira. Linda! Aberta, visível à distância. Tentamos subir as escadas laterais pra ver mais de perto, mas o banho foi tanto que resolvemos voltar e contemplar só de longe. Seguimos mais alguns quilômetros e encontramos outra. Esta, maior, com um curso de rio à frente e rodeada por areia vulcânica. Meu Deus! Haja cartão de memória!

Aí veio a discussão: e a Aurora Boreal, será que hoje ela aparece? O tempo estava frio e limpo no sul, do jeito que as Northern Lights gostam. Mas ligamos para o hotel e descubrimos que o clima ao Norte não era o mesmo. Tour da Aurora Boreal cancelado pela terceira vez.

 

Então, vamos rodar mais e ver o Glacier lake! Telmo e seu GPS descotrolado quase nos enlouqueceram. O que era pra estar a 1 quilômetro de distância, de repente estava a 50. Nos revezamos na direção e tive a oportunidade de guiar pelas paisagens mais lindas que já vi. Montanhas, lagos, rios, pontes, campos, cavalos selvagens, gelo, um mini tornado.

Pelo caminho...

- Olha aquilo, uma nuvem de insetos!

Não, era um tornado, pequeno, de baixa intensidade, rodopiando bem em frente aos nossos olhos. Quase tive um ataque do coração!

- Grava, grava!

- Para o carro, para o carro!

E ele foi passando… dançando da esquerda para a direita, até que começou a enfraquecer, se perder no vento e sumir.

- What a f…..

Conforme avançávamos em direção ao Glacier Lake o clima simplesmente foi se transformando. No lugar do sol, da luz amarelada sobre as montanhas e dos rios azuis apareceu uma névoa. A temperatura caiu 8 graus em uma hora e o cenário ficou árido e com poças de neve bem próximas à estrada. Sabe filme de terror? Três carros rodando no meio do nada, próximo ao anoitecer. O Telmo já tinha quase ido parar na forca, quando finalmente chegamos à região do lago gelado. Mas pegamos a estrada errada. Mais uma vez.

- Ok, pra lá também tem um lago, só que menor. Vamos tentar esse mesmo.

Quem sugeriu a ida até o Glacier Lake foi justamente o Telmo, que encontrou um cara lá pelas cachoeiras que garantiu: era o lugar mais bonito de Iceland. Só faltava o Telmo comprovar a tese. Já estávamos exaustos e, obviamente, com medo. Quando o GPS indicou que tínhamos chegado no nosso destino, o dia estava escurecendo. Pra onde se olhava, não se via nada a não ser nada. Nos enfiamos na pequena estrada de pedregulhos e decidimos deixar os carros antes de ter prejuízo com a lataria. Seguimos a pé.

- You cannot believeeeeeeeeeeeeeee!

Stevo botou as mãos na cabeça e começou a correr no alto do morro. Corremos atrás e sem esperar, me deparei com uma foto da National Geografic, só que viva. Fiquei paralisada. Uma montanha de gelo atrás de um lago pingado com pequenos icebergs. A paisagem mais diferente que eu poderia ver com os meus próprios olhos, vindo de onde eu vim, nascendo onde eu nasci.

Glacer!

Impossível descrever cada detalhe desse momento. Foi único, foi alucinante, foi inesquecível. Trezendo flashes por segundo e nenhum deles capaz de registrar o que eu trouxe para Glasgow na minha memória.

Fechei Iceland na minha mala, sem a Aurora Boreal. Mas a verdade é que depois do que vi nessa viagem, tenho certeza de que a Aurora é questão de tempo. Não existe lugar inatingível, não existe o impossível. Se passou no Fantástico, por que não pode passar pela minha vida também?

Pra quem ainda não viu, dá uma olhada na minha galeria de fotos no Facebook.
Abandonei o plugin que eu usava aqui, era cheio de bugs.

Eurotrip 2012, aí vamos nós!

Neste findi eu e o Nando sentamos e definimos a nossa tão esperada Eurotrip. Ok, na verdade nós já estamos vivendo uma Eurotrip, mas sacumé, quanto mais se avança, maior o mundo fica!

Desde que chegamos em Glasgow, conhecemos alguns lugares da Escócia e também da Inglaterra. Mas o objetivo desde o início era: vamos varreeeeer essa Europa! Na verdade, este foi um dos principais motivos por termos decidido largar a vida no Brasil e embarcar neste trem da alegria.

Abre parênteses:

Na terça-feira embarcamos para a Islândia! Vamos passar cinco dias  em um dos lugares que jamais pensei em conhecer na vida! Assim como eu nunca imaginei morar na Escócia e muito menos na Dinamarca… E olha eu aí. Aí quando eu perguntei pro Nando pra qual cidade da Islândia a gente ia e ele respondeu Reykjavik, lembrei de quando eu estava no primeiro grau e a professora fez a gente decorar as capitais do mundo. E eu decorei: Reykjavik. Na época isso soava pra mim como mais uma palavra estranha que não serve pra nada e que a gente aprende porque assim é a vida. Tu vê.

Fecha parênteses.

Depois de quatro meses de frio, chuva, dias nublados e os pensamentos sombrios que só um inverno britânico é capaz de provocar, finalmente chegou a hora de planejarmos a nossa viagem de verão. Porque sabe, até podem falar que inverno é bacana, que as pessoas ficam mais elegantes, que há sempre oportunidade para um bom vinho e um pedaço de torta. Mas eu nasci no verão e é dele que eu gosto! Eu e o Nando.

- Então, pra onde vamos?

- Pra onde estiver calor.

- Içaaaaa!

Acontece que as possibilidades são muitas. Eu não conheço praticamente nada da Europa. Esta é a minha primeira viagem pra cá, então tudo parece ser uma boa pedida. Portugal e Espanha eram os primeiros colocados até que um dia o Nando abre um site e descobre aluguéis ridículos de baratos pra ficar em mansões nas Ilhas Gregas.

- Foda-se! Vamos passar um mês como reis!

Em meia hora o sonho acabou. Os valores eram válidos só para os meses de março e abril (leia-se, baixa temporada). Em julho as tarifas já faziam com que a gente lembrasse que não passamos de dois plebeus.

Ok, de volta ao plano sensato. Portugal, Espanha, que mais?

- França!

- Ai, eu sempre quis conhecer Paris! (bem mulherzinha)

E aí começou o quebra-cabeças. Montar uma Eurotrip pode ser muito glamuroso, mas não é nada fácil. Não com um orçamento de bolsista e garçonete, néam.

Surgiu então a ideia de alugar um canto na casa de alguém, através desses sites do tipo “alugue um sofá”. De primeira confesso que eu fiquei meio espiada. Sei lá, ficar na casa de uma criatura desconhecida, como um agragado. Mas pesquisando descobrimos lugares super bacanas com pessoas bem recomendadas por uma galera. Opa! Até que não é má ideia. Sem contar que os preços são muito mais amigáveis do que os oferecidos por hostels. Aliás, esses hostels vou te contar. O pessoal tá maluco! Querendo sacos de ouro pra dividir um quarto com mais 12 hóspedes.

Foi aí que descobrimos a Sandra e a Elsa, uma de Lisboa e a outra de Barcelona, que vivem nuns apartamentos MUITO fofos e bem localizados, e alugam o quarto de casa. Checamos as recomendações que eram muitas e todas super positivas. Arriscamos e bookamos. A Eurotrip começou a se concretizar.

Resolvemos então que a nossa viagem será de um mês. Porém, vamos conhecer menos países. Na França os aluguéis estão uma fortuna entre julho e agosto.

- Quer saber? Vamos só para Portugal e Espanha e vamos curtir ao máximo cada lugar.

Além disso, por uma questão de logística (claro, não só por isso), vamos também para Londres e Amsterdãm.

Para Londres vamos em função do visto pra Dinamarca. Já enviamos toda a (caríssima) papelada e assim que tudo ficar pronto, vamos até lá pra buscar. Compromissinho chato, sabe?

E Amsterdãm é o seguinte: viemos pra cá com três malas cada um. E para fazer um mochilão mundo afora, a gente leva só o mochilão. Seria impossível perambular por aí carregando 40 quilos de bagagens. Uma porque eu tenho amor à minha coluna. Outra porque companhias que oferecem passagens aéreas baratas ganham dinheiro cobrando tudo o que podem. Inclusive, bagagem a despachar.

A solução foi deixar as tralhas excedentes nos esperando.

- Mas onde?

Aqui em Glasgow teria dois impecilhos: pagar mais um mês de aluguel só pra isso não valeria a pena; se deixássemos num depósito teríamos que voltar aqui pra buscar. O que implica sair completamente fora da nossa rota.

Mas o Nando queria porque queria conhecer Amsterdãm. Bingo! Vamos deixar as coisas em algum depósito por lá. Largamos antes de sair para a Eurotrip e buscamos antes de ir pra Dinamarca. Perfect, duas oportunidades de passar pela bela Holanda.

Fechou todas? Fechou. Inclusive, já compramos as passagens. Olha só como ficou:

ROTEIRO EUROTRIP 2012

27 de junho: Amsterdãm. Largamos as malas e voltamos para Glasgow.

24 de julho: Edimburgo-Lisboa.

5 de agosto: Lisboa-Aveiro, em Portugal

10 de agosto: Lisboa-Barcelona

20 de agosto: Barcelona-Amsterdãm

24 de agosto: Amsterdãm-Copenhaguem

25 de agosto: Copenhaguem-Aalbog (nossa nova casa!)

E aí, o que acham? A nossa sorte está lançada!

 

 

 

 

 

 

Profissão: garçonete

A garçonete do século

(Este post foi escrito especialmente para o meu amigo Maurício Batista).

Quem me conhece a fundo sabe: sou a pessoa mais atrapalhada que este mundo já viu. É eu abrir os olhos de manhã para que tudo comece a se despencar na minha volta. Domingo mesmo eu estava fazendo as unhas na sacada aqui de casa. Me achando muito phyna, com as perninhas pra cima, tomando um sol, aquela coisa toda. De um segundo para o outro, o palito de metal que eu uso pra limpar as sobras de esmalte tinha ido parar na minha perna. Só que dentro dela. Quando vi, aquele troço fincado na minha coxa e um segundo depois sendo arrancado por mim mesma de volta… quase pari um filho!

Aí agora me imaginem trabalhando como garçonete num restaurante. Sério, parem 10 segundos e imaginem. Ontem fiz meu primeiro shift no Boteco do Brasil como garçonete. Cheguei lá às 11h e saí às 18h. Des-tru-í-da.

Desde que eu cheguei aqui tenho vivenciado experências que nunca imaginei para mim. Passei a vida todinha estudando, estudando, estudando. Colégio, facul, estágios, o primeiro emprego. Tudo relacionado, amarradinho em função de uma carreira promissora. Só que não. A vida é a rainha das voltas e revoltas e quando você menos espera, está fazendo tudo aquilo que um dia pensou jamais fazer. E é aí que está a graça.

Logo que eu comecei a procurar emprego aqui em Glasgow meu pânico era: como vou trabalhar se não entendo uma vírgula do que os Glaswegians falam? – Caso tenham esquecido, aqui eles falam um dialeto casca pra caramba. Dêem uma olhadinha sobre isto aqui. E de repente vi que o tempo de fato passa e ontem me joguei sem medo! Tá, confesso que antes dei uma tremilicada.

A minha sorte é que fiquei sob os ensinamentos da Maria, uma portuguesa. Além de saber tudo, ela fala português e eu não precisei fazer aquele esforço maior pra entender as instruções. Aí lá de vez enquando vinha o Luigi, o dono, que é italiano, e me explicava umas coisas em inglês. Mas aí nessas horas vale a lei da sobrevivência, né. É ou entende ou entende.

Quase posso sentir a curiosidade de vocês, a vontade de ser uma mosquinha escocesa só pra ver a minha desenvoltura durante as sete horas em que fiquei me enlouquecendo como garçonete. Até acho que qualquer coisa que vocês possam estar imaginando seria, no mínimo, plausível vindo da minha parte. Aquela coisa né: cara de louca, toda escabelada, esbarrando nas pessoas, suando. Porém, sempre sorrindo!

Ok, vamos lá:

#1: Sirvo a pizza numa mesa para duas gurias. Uns pratos enoooormes e uma mesa minúscula. Primeiro, quase morri pra tentar achar uma forma de acomodar tudo, mas achei. Aí quando estou quase vazando e pensando “Ufa” a menina loira me chama e me pede alguma coisa. “Papel preto? Por que será que ela quer um papel preto?”. Nesse segundo tudo me passa pela cabeça: será que ela quer escrever alguma coisa num papel preto com aquelas canetas de tinta brilhosa, tipo convite de 15 anos? Aí olho pro guardanapo que eu segurava na mão e disse:

- Olha, tenho um assim, só que preto.

Ela me olha com aquela cara de “que pinta doida” e repete, dessa vez mais devagar:

- Black pepper!

Ahhhhhhhhhhhhh black pepper! Pimenta preta! Jurei ter entendido “black paper (papel preto)”. Pô, já faz aquela diferença….

#2: Terena aprendendo a tirar os pratos do lift – aquele elevadorzinho que fica subindo e descendo freneticamente do restaurante para a cozinha, com os pedidos dos clientes. Chegam duas pizzas (de novo! Que gente que come pizza!). Eu tiro a primeira e a segunda fica lááááá no fundo do lift. Tento pegar uma vez, não consigo. Tento de novo e nada! “Puta que pariu!”. Aí começo a me espichar e tentar alongar meus 1,56 m de altura, os dedinhos esticados tentando tocar no bendito prato. Nisso sinto um calor, uma coisa quente me tocando… na verdade, me fritando! Não pensem bobagens! Eu estava praticamente DEITADA sobre a primeira pizza e enfeitando toda a minha camiseta (da Zara!) de molho de tomate. Aiêeee! “E agora, o que é que eu faço? Como é que eu vou trabalhar desse jeito?”. Ainda bem que eu estava com um casaquinho. Fechei os botões voando e escondi o estrago. Nisso chega a Maria e me larga:

- Quando tu não alcança a comida no lift, tem que sentar na bancada pra conseguir pegar. (Óra poix)

- Ah… obrigada.

#3: Um casal chega com duas menininhas. Sério, uma família muito engraçada! A mãe super jovem, toda tatuada e mega simpática. As gurizinhas brincando de pintar, jogando desenhos para todos os lados e o pai também tatuadão brincando com elas. Curti! Acabo de largar uns pratos de petiscos na mesa, o cara parece apontar para um dos pratos e larga:

- Pâintofãster.

- Hum?

- Pâintofãster.

“Deus, por que faz isso comigo? Que esse cara quer? Será que é um molho pra comida?”

- Sorry?

- Pãint of Fóster.

Nisso, alguém lá no Céu disse: Chega de sacanear essa coitada, ela já tá suando! E aí me vem a luz:

- Ahhhh um pint of Foster’s (páint of Fóster’s)? (um chop da cerveja Foster’s).

- Yeahhhhh!

(Porrãmmmm).

#4: Lá pelas tantas a Maria olha pra mim e diz

- Ó, já avisei o Luigi de qual é a situação e que tu tá aqui sozinha…

- Mas onde tu tá indo???? (quase berrei).

- Ora, tô indo pro meu break de duas horas, depois volto pra trabalhar até às 22h (Opá).

“Mas Senhor do Céu, como assim? É meu primeiro dia e eu vou ficar aqui sozinha?”.

Só que a essa altura do campeonato, quatro da tarde, eu já tinha me ferrado tanto que até relaxei. Joguei pro Cosmus!

A Maria se mandou e sobramos eu e o Luigi, correndo de um lado pro outro feito loucos. Minhas pobres pernas curtas nunca tiveram tanta utilidade. Lá pelas tantas ele me disse: quando a Maria voltar, você pode ir embora. Pagava pra ver uma foto da minha cara nessa hora. Deve ter sido a mesma cara que a gente faz quando tá morrendo de vontade de ir no banheiro e, enfim, consegue.

Eu mal pisquei e a Maria já estava de volta. Thank youuuuu! Eu fedia, meus pés doíam, minha barriga roncava de fome. Saí do Boteco me sentindo um frangalho. Graças a Deus, dessa vez consegui um emprego perto da minha casa. Subi a High Street me arrastando, contando cada quarteirão, quase tropicando de tão estraçalhada.

Bom, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Para um primeiro dia de trabalho até que eu me superei. Entre uma cagada e outra, o saldo foi positivo e saí de lá com hora marcada pra voltar no outro dia. Eu venci!!!! Ou melhor, sobrevivi!!!

Fui dormir às dez da noite, com os ossinhos do meu corpo doendo e sonhei o tempo todo com os pratos de comida do Boteco. Espero que sonho não engorde, porque com as calorias que vou perder nessa minha profissão de maratonista gastronômica, tô achando que vou estar saradona pro Verão.

Isle of Bute. What a fuck!

Isle of Bute, um lugar que me fez passar a ver a Escócia com outros olhos

Jesuis, como andei sumida! Pobrezinho do meu blog, deve ter achado que abandonei o barco – ou “patiei o ninho”, como diriam a minha mãe e tias santanenses. Mas a verdade é que ando numa correria maluucaaa (como diria a Cláudia, de Aquele Beijo. Eu e o Nando somos fãs da novela das 7).

Faz duas semanas que tenho trabalhado bastante. Meu número de horas no Boteco do Brasil aumentou – o que é muito bom – e minhas horas livres ficaram menores. Aí juntam-se a isso as aulas de inglês (porre da década), mais o Nandico (queridês do século), algumas atividades jornalísticas extra-classe e já viu. O Levo na Mala fica às moscas.

Mas não! Jamais o abandonarei, porque foi a muito custo que dei à luz a esta cria.

Então, voltei aqui para falar de uma experiência incrível que tive na semana passada. Conheci um lugar chamado Isle of Bute, uma ilhazinha simplesmente deslumbrante no Oeste da Escócia. Sabe aquelas paisagens que a gente vê em filmes, que mistura água, montanhas, verde e um céu espetacular? Pois eu vi tudo isso ao vivo e a cores.

Toda serelepe no paraíso!

Praticamente me senti naquelas propagandas do cigarro Malboro (quando elas ainda existiam). O lugar é demais! Conseguimos essa viagem com duração de um dia com um cara que faz trips para estudantes aqui em Glasgow. Além de pagarmos super barato pra ir (20 pounds com ônibus, ferry e entrada nas ruínas do Rothsay Castle), ainda levamos de lambuja um guia gente finíssima, meio metido à aspirante de stand up comedy. A cada parada, rolava uma sessãozinha privé de piadinhas. Menos mal, de bom gosto!

Fizemos caminhadas paradisíacas, subindo e descendo montanhas, vislumbrando lugares encantadores. “Encantador”… essa é a palavra! E para que tudo fosse não menos que perfeito, São Pedro deu uma trégua e mandou para cá um sol brilhante, com céu azul e temperatura amena. Nada a ver com a Escócia. Mas também somos filhos de Deus.

Bom, agora vem o momento confissão:

Conhecer Isle of Bute foi muito mais do que ter o privilégio de ver com os meus próprios olhos um exemplo de beleza nesse mundo.

A verdade é que nesse dia a Escócia se redimiu comigo. Sinceramente? Até achei Edimburgh bonita, mas até o último domingo a Escócia cansava a minha vista pela arquitetura fria, cinza, sem vida. Glasgow é uma cidade com vários pontos bacanas, mas de forma geral… mil vezes Porto Alegre.

Acho que quando a gente cresce com um conceito de “arborização” é difícil achar um lugar sem verde bonito. Aqui não tem árvores, é uma coisa impressionante! Quase não se vê jardins, cachorros e gatos perambulando. É uma cidade avessa à natureza.

A turma reunida! Valeu muito!

Mas aí quando saímos da cidade grande, pude ver uma Escócia linda, bucólica, viva! Fiquei encatada. Aliás, não só eu, como toda a turma que participou da trip. Refletimos e acho que o sentimento foi unânime: a Escócia merece uma nova chance.

Agora, confere a galeria de fotos completa!